A proposta incial do debate sobre Popper, Kuhn e Tomanik era apresentar as idéias de cada autor, e o posicionamento de Tomanik sobre o que é ciência e as suas considerações sobre Popper e Kuhn.
A nossa discussão teve um referencial biográfico e histórico para situar cada autor em seu momento histórico.
- Aniguidade: A ciência se confundia com a filosofia, buscando-se o princípio do qual tudo derivaria [há uma harmonia que rege o mundo?] e as causas explicativas da coisas. (Tales, Anaximandro, Anaximenes, Platão, Aristóteles, Heráclito, Plotino…)
- Idade Média: A ciência e a Filosofia se ordenam para embasar a própria Teologia. (Tomás Aquino, Agostinho de Hipo)
- Idade Moderna – O desenvolvimento das ciências particulares e o enfrentamento com a Teologia levam a uma concepção mecanicista do mundo (Descartes, Galileu, Newton). Implicações políticas também. (Galileu, Giordano Bruno, Maquiavel, Bacon). Auguste Comte cria as bases do positivismo, que pretende afastar as explicações teológicas e metafísicas da realidade. Para ele o mundo [todos os CAmpos do saber] deveria ser explicado exclusivamente pela ciência e seus métodos experimentais.
- Idade Contemporânea – Surge a crítica ao dogmatismo científico proposto por Comte. Aqui se encaixam os autores que discutiremos no seminário. Popper com sua idéia de falseabilismo, onde uma teoria científica nunca seria “verdadeira”, mas sim verossímel e, consquentemente, passível de falseamento a partir do momento em que não conseguirem explicar um fenômeno novo; Karl Popper falando do significado [importância para normalidade da ciência] e do ciclo de vida de um paradigma dentro da ciência; e Eduardo Tomanik colocando vis à vis as duas principais tradições da concepção de ciência.
Conforme a fala do Leonardo a proposta inicial era a defesa de 2 pontos:
1° – Tanto o “A lógica da descoberta científica” publicado em 1934, por Karl Popper; quanto o “A estrutura das revoluções científicas” publicado em 1962, por Thomas Kuhn, podem ser categorizados na corrente de pensamento que Augusto Tomanik concebe como crítica ao empiricismo.
2° – Os conceitos de demarcação da ciência, falseabilidade e paradigma estão na vanguarda do movimento em prol da revisão da concepção de ciência como portadora do conhecimento certo, verdadeiro, neutro, objetivo.
Neste contexto elucidamos alguns aspectos sobre os autores:
De acordo com Popper, a ciência é uma construção racional exatamente por ser histórica. Sua construção se dá com base no enfrentamento, pelo homem, de problemas que lhe surgem ao longo da vida, sendo, portanto, irrecusável sua estreita vinculação com a realidade externa e com os fenômenos culturais de cada época (SCHMDIT, 2007). Ainda, diz que o trabalho do cientista consiste em elaborar teorias e pô-las à prova (POPPER, 2009, p. 31). Desta forma Popper, considera que os cientistas, são solucionadores de problema; toda investigação científica parte de problemas, este é o caminho inicial para o desenvolvimento da ciência.
Na visão de Popper, não existe observação pura, pois todas as observações são sempre realizadas à luz de pressupostos e de teorias prévias que o cientista traz consigo (RODRIGUES, 2010) e que a ciência, não pode ser alinhada pelo indutivismo empiricista e sim pela dedução lógica. Pois, a indução não pode levar à certeza e sim a um ciclo constante de incertezas (SCHMDIT, 2007).
Contudo, Popper afirma que o progresso científico demonstrou consistir, não em acumulação de observações, mas em superação de teorias menos satisfatórias e sua substituição por teorias melhores, ou seja, por teorias de maior conteúdo. Além de contestar a indução, sustentou que toda e qualquer teoria científica assenta-se sobre uma série de pressupostos metafísicos que, mesmo não sendo refutáveis, podem ser discutidos criticamente, o que significa que são inteligíveis e, portanto, possuem significados. Por isso, pode ser levada a justificação ou falseamento (POPPER, 2009).
Para Kuhn, a ciência, esta alinhada ao indutivismo empiricista, pois, sempre haverá interferência ou inferência por parte do cientista na pesquisa. A reflexão de Kuhn sobre a natureza da atividade científica articula-se em três conceitos fundamentais: os conceitos de “paradigma”, “ciência normal” e “ciência revolucionária”.
Para Kuhn quando se vê a realidade de uma determinada maneira se tende a ser incapaz de a ver de outra, possivelmente mais correta.
Só se fizermos um esforço grande para nos situarmos no outro paradigma é que, então, subitamente, passaremos a ver as coisas de uma forma completamente diferente. Assim, para ser aceito como um paradigma, uma teoria deve parecer melhor que suas competidoras, mas não precisa (e de fato isso nunca acontece) explicar todos os fatos com os quais pode ser confrontada (KUHN, 2009). O novo paradigma implica uma definição nova e mais rígida do campo de estudos. Aqueles que não desejam ou não são capazes de acomodar seu trabalho a ele têm que proceder isoladamente ou unir-se a algum grupo. Contudo, uma vez encontrado um primeiro paradigma com a qual conceber a natureza, já não se pode mais falar em pesquisa sem qualquer paradigma. Rejeitar um paradigma sem simultaneamente substituí-lo por outro é rejeitar a própria ciência (KUHN, 2009).
K
uhn (apud SCHMDIT, 2007) indaga se o falseamento popperiano não é uma refutação concludente. Para nós, a partir do estabelecimento dos critérios de refutação, uma teoria pode ser falseada ou corroborada. Se ela for falseada, certamente poderá ser de forma concludente, se não, virão novas situações que porão seus conteúdos a prova novamente. O falseamento é, sem dúvida, uma contenda entre a teoria e a observação.
A conversa com Prof. Tomanik por meio do SKYPE foi o ponto forte da aula. A maior quantidade de questionamentos direcionados ao Prof. Tomanik foram sobre a neutralidade da ciência. Logo após alguns questionamentos foram sobre o sobre o pensamento de Popper e Kuhn. Assim o Prof. Tomanik explicou:
“São dois pensadores importantes, são duas pessoas que nos fizeram repensar a ciência e que nos ajudaram a nos libertarmos daquela idéia de uma ciência puramente proveniente da natureza. Agora é importante pensarmos o seguinte: Popper é um pensador sobre a ciência, ele faz uma filosofia da ciência; enquanto Kuhn me parece muito mais um sociólogo dos grupos de cientistas.
Kuhn se dedica a se descrever como os grupos de cientistas agem, ele faz uma denúncia muito bem fundamentada sobre a construção coletiva da idéia de verdade na ciência, nesse sentido ele desmascara a idéia naturalista de verdade vinda dos próprios dados. Agora acho que a teoria de Kuhn é extremamente limitada na medida em que ele considera que os cientistas não agem como grupos fechados. Mas ele não vai além dessa formulação, ele não se aprofunda em como fatores extra-científicos interferem na construção do que nós aceitamos como ciência
Popper, por outro lado, já me parece uma pessoa muito mais profunda ele faz uma incursão sobre a verdade, o critério de verdade na ciência, embora eu ache que a ciência não seja exatamente o que Popper diz que deveria ser, mas acho que ele fornece linhas muito interessantes.”
No segundo dia de seminário, o grupo (formado pelos mestrandos Leonardo, Luiz Carlos e Ronald) expôs, em linhas gerais, sua visão sobre o empirismo, sugerindo inclusive uma continuidade: empirismo – positivismo – pensamento do Círculo de Viena.
Na sequência falou-se da formação e da biografia de Popper e Kuhn; para enfim chegar-se à árvore de conceitos dos dois autores, a partir da qual alguns de seus pensamentos foram sucintamente contrapostos.
- SLIDES INICIAIS
- MAPA MENTAL
Para finalizar, no intuito de motivar o debate no âmbito da turmna, e seguindo a tradição de outros grupos, foram exibidos vídeos** que conjugavam o tema ciência a questões como ética, religião, tecnologia, experimentação.
http://www.cienciadainformacao.ronaldcosta.pro.br/mapa/video1.flv
http://www.cienciadainformacao.ronaldcosta.pro.br/mapa/2_EMPIRISMO.flv
http://www.cienciadainformacao.ronaldcosta.pro.br/mapa/3_O%20Efeito%20Borboleta.flv
http://www.cienciadainformacao.ronaldcosta.pro.br/mapa/4_Filosof%eda%20Moderna.flv
A avaliação final do seminário é que foi possível conseguir uma compreensão básica dos conceitos dos 3 autores. O seminário permitiu apresentar a biografia dos autores em seu momento no tempo. Apresentar os conceitos sobre ciência a partir do perfil do pesquisador e seu momento histórico facilitaram a compreensão de suas ideias.
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